Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Praça Dr. Manuel De Arriaga...

"Chegadas e partidas das “camionetas da carreira” da Arboricultura autentico acontecimento mundano que a nossa curiosidade invadia vendo quem ia para essa “terra” tão distante que era Lisboa, terra de sonhos inatingíveis que preenchiam o nosso utópico mundo de infância (…) dizendo adeus a quem partia, muitas vezes algum primo ou prima, a quem pedíamos que nos trouxesse algum brinquedo ou bola dessa terra distante, como se trata-se de uma longa viagem ao estrangeiro. (…) É que o Largo Dr. Manuel de Arriaga era, de facto, autêntico lugar de animação quotidiana, lugar de passagem e vaivém permanente do transito de passageiros “camionetas”. (…) E, aquilo que nos recorda um passado tão remoto que mais parecem historias de ficção para contar aos nossos filhos, é hoje em dia um pequeno espaço abandonado no centro da vila, vitima de uma evolução imparável da “vida moderna” que estrangulou e asfixiou esse lugar onde a nossa imaginação não conhecia limites. (…) Veio liceu, faculdade e o trabalho (…) e o “largo dos peixinhos” lá estava sempre a despedir-se de nós em cada manhã ou dar-nos as boas vindas ao final do dia quando regressávamos a casa, servindo de ponto de encontro natural para a troca de novidades, intrigas e de curiosidades. (…) Acredito que cada um de nós, de todos nós que nascemos e fomos criados em Caneças, tem a sua história do “largo dos peixinhos” para nos contar. (…) Com a transformação dos tempos e as nossas vidas, e sobretudo com proliferação das “carreiras” para vários destinos em Lisboa, a ocupação do largo excedeu os seus limites, convertendo-se num espaço confuso e perdido no meio das pessoas que, com a pressa da vida contemporânea, o atravessam a correr para chegar aos seus destinos ou afazeres. (…) O “largo dos peixinhos” deixou de ser o espaço a aprazível de outros tempos. (…) Enriqueciam as nossas gentes que sabiam receber e hospedar os forasteiros com honra, dignidade e elevação. (…) No lugar onde em tempos existia um chafariz (…) foi decidido construir um jardim com um desenho, elementos vegetais e bancos, que dignificassem este espaço situado no centro da vila e, qual cartão de visita, fosse convertido num lugar aprazível e acolhedor, que para os da terra, quer para os forasteiros. (…) O chafariz foi transladado para o largo da infância, e é aqui notificado como um interesse conjunto em pedra com quatro bicas e uma bacia de formas ovais, autónomo no espaço e dispondo de acesso por um plinto de três degraus. (…) Em prole da nossa cultura, todos os lugares tem uma alma uma vida e uma história para contar."
 
fonte:
  NUNES, Paulo Simões, Todos os lugares têm uma alma, uma vida e uma história para contar, O Caneças, Caneças, Março 2006, nº1, p.5
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publicado por Fontenário de Criação! às 00:14
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